sexta-feira, 4 de julho de 2014
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Torneios invisíveis
Os países vão se enfrentar. Todos estarão assistindo.
Mas quando os egos se enfrentam, quem está assistindo, quem está torcendo?
Quando a bola no pé da lugar à metralhadora na mão, onde está a mídia, a opinião púbica, as torcidas?
Ensaiamos um despertar de consciência política ano passado. Estávamos nas ruas, mostramos para a polícia que a tentativa de silenciar uma centena de pobres coitados pode colocar dois milhões de jovens, velhos, adultos, trabalhadores de todas as espécies nas ruas de São Paulo. Mas não entendemos bem o porque de tudo aquilo. A história dos vinte centavos. Vinte centavos sim, importantes para muita gente. O desdém de tantos que falam "só vinte centavos" é o maior testemunho dos abismo de realidades entre as gentes desta cidade. Mas de lá pra cá...
Tinhamos marcado um gol. Um gol inesperado, no início do jogo, daqueles em que o goleiro nada pode fazer. O outro time não joga um futebol bonito. Mas é bem preparado e mais organizado. A TV. O governo. Os discursos. Fomos convencidos por imagens bem selecionadas de que nas manifestações só há vândalos. Fomos convencidos de que todos os problemas possíveis são culpa exclusiva de um único partido, mesmo vendo aquele outro receber acusações das mais graves, sofrer flagrandes gritantes de transporte de drogas a casos de propinas milionárias.
Acontece. Todo jogo tem disso. De repente um dos times dá uma tropeçada e é cartão vermelho. O outro, de repente, pode sair literalmente quebrando as pernas dos adversários que nada lhe acontecerá. Tiro de meta.
Vai ver é isso. Vamos ficar no futebol, que de futebol a gente entende.
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
O valor de aprender
Será? As pessoas são pródigas em criticar umas às outras, abertamente ou não - com uma preferência clara pela segunda modalidade. Mas é fato: destruindo o prazer e o incentivo ao aprendizado, nada que dependa do aprendizado irá acontecer. Praticar e errar praticando é parte fundamental do aprendizado de qualquer coisa complexa: tocar piano, escrever bem, dirigir, trabalhar com um software complexo, qualquer coisa. Os cientistas Herbert Simon e William Chase estimaram que os grandes "gênios" gastaram entre 10.000 e 50.000 horas aprimorando suas habilidades até chegarem ao estágio de excelência em que todo mundo olha para eles e diz "olha só! nasceu com esse dom!".
Não deixe o mundo destruir seu prazer em aprender, em tentar, em apreciar cada tentativa - acertada ou não - e crescer com ela. Milhares de horas depois, todos vão te invejar, embora ninguém resolva seguir seu caminho pois vão ver que não são como você, não "nasceram com o dom"...
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Dos movimentos
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Foco
- Desculpe, seus olhos estavam no caminho.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Nobel
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Adoniran
Claro que têm
Um rosto diferente do meu
E que eu não sei se é mais bonito
E que não sei se é mais feio
E ainda assim, de certa forma
É um rosto que também é meu
E quando me olham nos olhos
Esses outros olhos
Por vezes gostam
Por vezes não
E se me gostam nos meus olhos
Meus olhos mesmo
Se me gostam ou não
É coisa que, com aquela,
Não guarda relação
domingo, 29 de setembro de 2013
Teatro
Um pote plástico transmuta-se num tambor. Numa bomba. Num tijolo. Num livro.
Um coador plástico de repente é uma lupa, uma válvula, uma máscara.
E nos ensaios, os mundos faz de conta impunham-se reais. E cada hora ali provava que os sonhos mais impossíveis aconteciam, diante dos olhos de todos, e as pessoas viam, viviam, e as estrelas, de inveja, tremiam.
sábado, 28 de setembro de 2013
Primeira Lei da Termodinâmica
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Inquieto
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Estúdio
Dos garimpos
Quantos metros cúbicos das mais pesadas rochas são extraídas e destruídas para cada pequeno diamante descoberto?
Nos melhores garimpos da vida, quantas e quantas pessoas você receberá com o melhor de você até encontrar aquela pessoa especial que valeu todas as tentativas?
Com as pessoas mais profundas que conhece, quantas e quantas horas de experiências e conversas triviais até encontrar seus valores mais profundos e sua humanidade mais verdadeira?
Procure diamantes, mas procure-os nas almas. Só esses são eternos e ternos.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Deixa
Cada fazer cessa um sonho. Eu gosto de sonhar...
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Beijo
Desculpe, talvez eu até pudesse concordar que há coisas no mundo que não são como deveriam ser se, por princípio, eu já não pensasse que a natureza é a medida final e que errado é substituí-la por imaginações idealísticas. É assim que funcionamos, eu você e todos. É aí que nossa assimetria nasceu, e se foi contra você, poderia muito bem ter sido contra mim. Acasos... A que me refiro? A esta mecânica no afeto: se morres por mim, morres em mim.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Deprimido
Vão se esvaziando todas as atividades, as ocupações.
E meus desânimos desincentivam minhas forças.
E minhas forças se minguam tristes.
E meus silêncios se emparedam.
E minhas paredes esfriam.
E meus rins se cansam.
Meus pulmões param.
Meu ar cessa.
Morro.
Não há muita poesia numa vida de dúvidas.
E minhas dúvidas engessam meus dias.
Nada acontece, há anos.
Os dias pararam.
Estou parado.
Estático.
Parado.
Outro dia quis ter outra vida,
Uma vida diferente dessa,
Uma vida com ânimos.
Uma vida de risos.
Existência feliz.
Sorrir sempre.
Olhar bom.
Feliz
A depressão é assim funda
Funda e imunda e suja
E pegajosa e oca
e infinita
pra baixo
f
u
n
d
o
domingo, 22 de setembro de 2013
Três da tarde
sábado, 21 de setembro de 2013
Geopolítica
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Algema
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Massa zero
O mundo continua lá fora a despeito total do que sinto aqui dentro. À revelia do que faço, do que deixo de fazer, do que sou, do que não sou.
Li que os físicos detectam no espaço a presença de matéria escura pelo efeito gravitacional que ela exerce à sua volta. Um sujeito sem gravidade social é efetivamente um sujeito sem massa social? Sou um humano verbalizado, letrado, vestido e vacinado, e ainda assim, de certa forma, um apêndice da sociedade.
Não se interessam pelo que penso do petróleo, das crianças doentes, da fome, das doenças, das desigualdades ou das guerras. Eu também, para todos os efeitos mensuráveis, diante de todas as marcas que estou deixando para os arqueólogos de daqui a mil anos, também não me interesso por nada disso.
Já acordou assim algum dia?
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Exorcismo
Preciso tirar esse demônio de mim. Esses demônios todos. Essa confraria do mal. Esse inferno inteiro do meu íntimo preciso tirar agora imediatamente.
E esse demônio sou eu.
Preciso deixar de ser outro a cada pequeno depois.
Preciso deixar de lembrar das coisas erradas.
Preciso deixar de precisar dessas necessidades que corroem.
Desejos diferentes, sonhos, sabores. Meu paladar muda a toda hora. Já experimentou isso? Já leu Shakespeare e Paulo Coelho na mesma noite e ficou em dúvida sobre quem seria genial? Já ouviu a suíte para cellos de Vivaldi e depois arrematou com um bom e adequado Zezé di Camargo & Luciano? Nem eu cheguei a tanto, mas hipérboles me divertem num sarcasmo de sorriso largo.
Que nojo de mim. Que podre. Quero o casamento eterno e apaixonado. Quero a putaria porca e imunda dos relacionamentos despurodados de segundos.
Quero todas as vidas. E nenhuma dessas é minha vida.
Preciso tirar esse demônio de mim.
E depois experimentar demônios diferentes. Porque é incorrigível. Porque não vou achar graça em corrigir.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Completa
Sim sim, você ama a pessoa, você respeita, você trata bem e tudo mais. Isso talvez seja pré-requisito para você entrar na brincadeira. Mas uma vez que aceitaram teu ingresso, jogue-o fora. Agora o papo é outro...
Tesão. Uma espécie de sede selvagem. A boca salivando querendo sentir o sabor de tudo. O corpo querendo contato. Suor. Carinhos que oscilam entre leves afagos e arranhados. Gemidos de desespero. Mais, mais maismais! Algo incontido! Tem que transbordar.
É isso: selvagem. E no entato, impressionante, não nos contentamos só com isso. A pessoa com quem estamos importa. Existem por aí muitas que gritariam mais. Outras, quem sabe, pulalriam em cima de mim e me deixariam louco. Será?
Minha falta de empatia se transfigura fácil em um tipo de desprezo. Não consigo ir pra cama com qualquer uma. Uma gostosa, gostosíssima que todos invejariam... Se for burra, ruim de papo, não vai rolar... Minha mente vai se abstrair de tudo aquilo e ficar meditando no quão vil é aquela pessoa... E nada mais vil que sexo, que é o que eu quero, que é o que eu gosto... Mas tem que ser com alguém que tem vida. Talvez isso seja porque os espíritos não tolerem deixar os corpos ali, sozinhos, transando... Querem transar também. Espírito copulando com espírito. E, para isso, precisam se querer. E tesão de espírito não é por questões de corpo, já que são imateriais. Obviedades...
Tem loira gostosa com espírito canhão desdentado. Tem mina meio capenga com espíritos deslumbrantemente tesudos.
E se eu achar a melhor das combinações, agarro e não largo nunca mais!
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Aquele chato do bar
Ele era um grande de um filho da puta. Mas é fato: a gente ria com ele. Ele falava com desdém, quase cuspindo pro lado, todas essas coisas que se às vezes a gente se flagra pensando, faz um esforço danado pra virar pro lado e fingir que não aconteceu. A gente ria! O que mais ia fazer? Balançar a cabeça seriamente e concordar? Endossar aquela chuva de verdades? De modo algum. A gente ria. A gente ria sempre, gargalhava.
E era duplamente bom. A gente condenava como inconcebíveis todas as nossas verdades secretas, e de quebra voltava pra casa com o alívio de ter encarado o assunto de frente. Fuga, é verdade, mas só depois de olhar o bandido nos olhos.
Era um grande de um filho da puta. Mas todo mundo gostava dele.
Boa noite
domingo, 15 de setembro de 2013
Dos direitos
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Dois anos
Isso se o mundo não acabar.
Isso se o servidor ainda existir.
Isso se eu não o deletá-lo por qualquer dessas tantas bobeiras passageiras.
O que terá acontecido nesse meio tempo?
Como era a vida nesse dois anos atrás que ainda não existe?
Medos e sorrisos juntos no mesmo pacote. O saquê não embebeda o suficiente, e podia ser eu caído na calçada; me largaria lá.
E os sintomas de saudade? E a liberdade? E o colo?
A única, a única certeza...
É que o tempo vai e o vento vem e nada além . . .
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Capítulos
E há pouco estava procurando coisas para colocar no blog. Coisas escrita dois anos atrás. Três anos atrás. Nem sei. Isso dribla a timidez. Depois de tanto tempo sou outro. Sendo outro, os textos não são meus, não completamente.
Mas algumas coisas, quando escrevi, pareciam abismos incontornáveis. A tristeza de um abandono, um momento difícil que eu precisava exteriorizar de qualquer jeito em uma tentativa louca de amansar as dores. E agora aconteceu uma coisa inacreditável: li um texto meu, um momento em que fui abandonado, uma expectativa cheia de pulsações que não foi correspondida. E, ao ler o texto... não pude me lembrar do que se tratava! A leitura não teve rosto. Não teve cheiro, não teve momento, não trouxe nome.
Diante desses esquecimentos algumas pessoas reclamam os efeitos nocivos do tempo. Choram a memória fraca. Outros julgam que a memória que se foi levou também uma oportunidade de aprendizado. O que aquela breve relação poderia ter me trazido de maturidade a mais foi pro ralo junto com os detalhes das lembranças...
Acho diferente. Acho que esse esquecimento é, justamente pelo esquecimento em si, o melhor que essa história tem a oferecer em termos de amadurecimento. A descoberta de que as coisas mais importantes e agudas que vivemos são ofuscadas pelo gigantismo do tempo até desaparecerem. A certeza de que não importa o quão grande seja o que quer que eu viva hoje, para o bem ou para o mal, o futuro é muito maior. E que venha o futuro.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Tinha que ser assim
Não vá mais, pois pra mim não é algo pequeno... Era o que eu queria de você, era o que eu queria de você mais que seus beijos, seu corpo, seus abraços apertados ou seu olhar desesperado. Eu queria de você sua companhia. Eu queria você dentro da minha solidão. Você não quis ir. E agora só quero que se vá.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Himalaia
Entender suas alegrias. Não gosto de tomar cerveja.
Saíamos para tomar cervejas diferentes e aprendi a história de alguns rótulos. Não gosto de filmes de hollywood.
Íamos toda semana ao cinema e vimos os filmes que você queria ver e não víamos os filmes que você não queria ver.
Gosto de ler. Gosto de sair. Gosto de viajar.
E ficava com você na sua casa no sofá, cortinas fechadas, longe do Sol, assistindo televisão.
Tudo o que não gosto na tentativa de entrar no mundo de alguém que gosto: você.
Pois é, nem sei explicar o porquê de gostar de você, mas sei que fiz de tudo para valorizar suas alegrias. E agora sinto que não é recíproco. E mais uma vez você menospreza minhas alegrias. Tudo em mim que é bom diz respeito ao seu mundo, às atenções que lhe tenho, e todas as coisas do meu mundo são coisas que não prestam, distrações irresponsáveis e sem sentido. E além disso, ... , ... ah, esquece =/
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Quando o amor acaba
Ela é independente, mora sozinha.
Ela é feminista sem ser chata.
Ela adora animais.
Tem um cachorro gigante.
Ela pilota motos.
Escuta rock e MPB com sorrisos e gingas.
Ela tem amizade com muitos,
Intelectuais ou marginais,
Boêmios ou abstêmios.
Mas ela gosta do que o Diogo Mainardi escreve,
E ela achou chata todas as crônicas do Antônio Prata que leu.
Adeus.