Talvez ele queira falar com você por meio de uma dessas pessoas aqui: 38 pessoas incríveis que vão ajudar você a abandonar seu trabalho e buscar seus sonhos.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Nota de um domingo revelador
Encontrar uma alma gemea é aceitar um auto-engano, cair em uma mentira. E o que satisfaz mais o espirito humano do que uma boa mentira? Somos todos diferentes. Acreditar na alma gemea é ser cego. Negar as diferenças do outro ser e também esquecer um pouco de si.
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Vida de gato
O gato não desperdiça suas energias em estados intermediários. Ou está sendo um dos animais mais ágeis da natureza ou está em repouso como se tivesse sido mumificado.
Pare de gastar energias em estados intermediários. Viva plenamente seus extremos.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Papelada...
quarta-feira, 16 de julho de 2014
dos goles de vinho
Eu estou solitário. Me sinto sozinho. Sozinho dessa solidão mais ácida, corrosiva e pesada: sozinho de mim. Tenho passado muito tempo com você mas me sinto abandonado. Porque eu passo muito tempo no seu mundo, vivendo os tempos como você gosta de vivê-los, falando das coisas das quais você gosta de falar. e meu mundo fica jogado ao esquecimento. Quero meus livros, minha música, meus passeios. Chega de sofá e filme, que isso é coisa pra depois da morte. Chega das histórias do seu trabalho. Você precisa de uma vida. É irônico que, nas brincadeiras da turma, voê seja a pessoa que mais teme envelhecer e quem mais tem crises com essa coisa de idade: você é a pessoa que mais cultua a velhice e o abandono do tempo como um ideal. Ficar jogada no sofá vendo TV sem fazer nada. Com tanta vida lá fora. Com tanta gente preciosa por conhecer. Lugares bonitos para ver. Bons momentos para experimentar.
Eu não sei o que vai ser daqui para a frente. Eu estou aqui no meu quarto sem conseguir ir dormir. A garrafa de vinho está pela metade. É tinto, Góes. Será que você gostaria desse vinho? O vinho nunca foi o principal para mim. Nunca vai poder ganhar das conversas que giram em volta do vinho. Amigos rindo, conversando, gostando da vida, gostando do momento. Sei que para você não é exatamente assim. Você tem seus padrões. As boas marcas para sapatos, relógios, roupas, vinhos. Sugiro procurar um namorado de marca, coisa que eu não sou. Sou um vira-lata até o fundo da alma. Quantas e quantas vezes eu quis acreditar que você gostaria de descobrir o melhor que se esconde dentro de você, mas vezes sem conta você insistiu em me desiludir. Se ao menos você soubesse gostar das pessoas com uma pequena fração do amor que tem pelos animais, então tudo estaria resolvido. Mas você tem um princípio, e é um princípio claro: vai sempre olhar tudo pelo pior ângulo possível, a não ser que seja uma das coisas sobre as quais tem um preconceito bom: dinheiro, Europa, marcas badaladas. Estou errado? Prove... Prove com algo inovador. Porque em um ano de convívio próximo eu nunca vi uma prova. E se está escondendo alguma grande prova de integridade do escrutínio do nosso convívio, então diga por que faz isso comigo. Por que me submeter a tanto.
Eu vou me perguntar e serei perguntado, diversas vezes... Errei em ir tão longe com tudo isso? Errei em dar tantos e tantos votos de fé a esta relação quando uma postura algo mais conflituosa teria colocado todos os pingos nos ís logo no começo?
Quando você falou mal das minhas roupas, depois de ficar chateado por um tempo decidi ir com você ao shopping e empreender uma profunda reforma no meu guarda-roupa, mas com uma condição: você se encarregaria de doar minhas roupas velhas. Você topou. Eu não estava interessado em roupas novas. Eu não ligo para roupas. Mas vivi em minha mente estúpida a imagem de você doando roupas e sentinto, ao menos por meio segundo, alguma compaixão de uma criança carente ou de um velhinho num asilo ou de sei lá eu que tipo de necessitado. Essa imagem, de você experimentando essa compaixão, e a alegria de fazer uma doação que deixava um estranho mais feliz, me tomou por completo e levei a idéia adiante. E, que eu saiba, as roupas ainda estão no porta-malas do seu carro. Cinco meses? Seis meses já? Passa rápido o tempo. Fiz minha parte do trato. A sua foi completamente ignorada.
Quando você falou mal de eu ir nos meus shows de chorinho, conversei a respeito e pouco tempo depois aceitei comprar por algumas centenas de reais um ingresso para ir com você em um dos seus shows de rock preferidos. De um artista que até então eu nem sequer conhecia. E você nunca entendeu esta trégua. Você tem certeza que eu gosto do roqueiro tanto quanto você e encara seu desgosto pela minha música como algo natural, instrinsecamente justificável.
Nenhuma concessão para você é aceitável. Seus princípios são absolutos e não estão abertos a uma leve e momentânea compreensão do outro. Você quer me ver feliz, eu sei que quer, mas desde que seja a sua felicidade. Minha felicidade é incompreensível demais para você. A garrafa de vinho está acabando. Espero que me ajude a dormir. Imagina só se todos os problemas da vida pudessem se resolver assim... com copos e mais copos e um pouco de esquecimento, não seria fantástico? Mas muitos já tentaram essa via criativa e até agora não funcionou. Sei que é um imperativo dos princípios empiristas que novas tentativas sejam feitas, e por isso ofereço à ciência meu esforço de hoje, gota por gota.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Origens
Toda criança deve sujar o pé de terra. Brincar com gravetos. Subir em árvores e ficar com raiva de formigueiros vez ou outra. É preciso conhecer nossa casa, o mundo em que habitamos. E entender que o conforto, o asfalto, a luz elétrica e as almofadas, são coisas fabricadas. Do contrário, o que temos é isso: gente que admira o produto sem admirar sua construção. Gente que admira o dinheiro e desdenha a técnica. Consumistas, no pior sentido do termo. Pessoas incapazes de apreciar um quadro, um ator, uma música, uma criança. Gente que não presta.
domingo, 13 de julho de 2014
Dona Cida
A casa estava cheia. Vinho, pizzas, comidas. Pessoas. Eu conhecia algumas, as que foram comigo. Há quantos anos não se encontravam? Dez? Doze? Alguém fez a conta. Dezessete. Mais da metade da minha vida. Por que é que as pessoas não se vêem mais? Não vem ao caso agora. Não sei responder essas coisas. Não sei responder nem mesmo sobre os meus amigos. Sobre os meus familiares. Por que é que eu não vejo mais a minha mãe? Ela morando lá em Porto Ferreira. Por que é que eu não vejo mais as minhas sobrinhas? Confesso que nem sei dizer ao certo a idade delas. Sou um tio ausente. Estou sempre cuidando da minha vida. Estou sempre com alguma urgência imediata. Nesta semana preciso estudar, vou ter prova. Na outra semana preciso ir para o interior, estou fazendo um curso. Depois preciso ver minha namorada, faz tempo que não dou atenção pra ela. Depois eu tenho que cuidar da minha casa, lavar roupa, arrumar o quarto, limpar o chão. Depois no outro final de semana é bom eu descansar um pouco, ficar no sofá vendo um filme, fazendo algo à toa assim, sem maiores preocupações. Por que é que eu não vejo mais as minhas sobrinhas? Por que é que estas pessoas não se viam há tantos anos?
Mas depois das conversas de sempre... atualizações básicas sobre o que cada um está fazendo da vida, o clima de amizade se instala novamente. O vinho ajuda as piadas a se soltarem se pudores. As pessoas que horas atrás estavam se apresentando quase formalmente agora já não vêem o menor problema em contar vexames de viagem, piadas que mencionam sexo ou falam algum palavrão. O clima é de alegria e discontração total. O ambiente é amplo, um grande apartamento. Um grande balcão mais parecendo um bar... De um lado, uma pia e ingredientes para as várias pizzas que estavam sendo preparadas. Do outro lado as pessoas trocando memórias e risadas. Fui pegar sorvete. As pessoas estavam servindo sobremesa em uns pratinhos plásticos. Pedaços de bolo e de uma torta que alguém preparou para não aparecer na visita sem levar nada. Eu achei que o sorvete também seria comido naqueles pratinhos de plástico e fui me servindo. Mas o pratinho foi tirado da minha mão por mãos ágeis e uma voz que disse: não, esse não. Melhor pegar esses daqui de metal, que pra sorvete são melhores. A agilidade do ato contrastava com a idade das mãos. Mãos enrutadas. Quantos anos tem a dona Cida? Oitenta e dois? Oitenta e cinco?
Depois do ocorrido fiquei reparando nela. Não era de falar muito. Apenas estava seguindo as pessoas mais animadas, receosa de perder as melhores partes da conversa. Estava sempre a distância, mas sempre atenta a tudo o que era dito e sempre com um largo sorriso no rosto. Em diversos momentos, nas piadas ou nos momentos mais discontraídos, eu olhava para a dona Cida e podia vê-la gargalhando sozinha.
Os assuntos eram variados. Falamos de viagem. Como as pessoas gostam de falar de viagem. Os que já foram se orgulham de suas histórias, e os que ainda não foram sonham com as maravilhas por serem vistas lá longe. Lugares bonitos, comidas deliciosas, causos inusitados nos hotéis, nos carros alugados, nas inusitadas comunicações improvisados entre idiomas que não se entendem. E a dona Cida lá, rindo feliz ao ouvir tudo aquilo.
Tudo estava ótimo. A comida. O vinho. A cerveja. A simpatia das pessoas. Mas nada superava a alegria da dona Cida. Uma alegria transbordante e ao mesmo tempo auto-suficiente.
As horas foram passando e algumas pessoas começaram a ir embora. Responsabilidades de família. O filho pequeno já morto de sono. O compromisso do dia seguinte que não poderia esperar.
Carlão, o dono do apartamento, era de uma alegria crescente. Resgatava dos confins das memórias a justificativa para um apelido esquecido. Uma lembrança de como tais e tais pessoas haviam se conhecido. Histórias daquela vez em que havia uma barata no quarto do hotel. Conversas iam se desenrolando.
Onde estava a dona Cida? Fiquei curioso, procurei ao redor e a encontrei. Ela estava já à pia. Em pé, lavando a louça. As formas de pizza, os pratos para as comidas diferentes que as visitas trouxeram. Olhar atento no trabalho, ouvidos atentos nas conversas. Já conhecedora daquelas histórias todas, não se entediava em ouvi-las. Bastava o anúncio de uma história e antes mesmo da conclusão, lá estava a dona Cida rindo sozinha, olhando para a louça.
Conheço pessoas que nunca viajaram e conheço pessoas que viajaram muito. Mas poucas... pouquíssimas pessoas encontrarão, em qualquer recanto do mundo, o que a dona Cida consegue ter em si própria o tempo todo: essa auto-suficiência em paz de espírito. Essa disposição a curtir o que há de mais alegre no ambiente sem se abalar pelo que há de negativo na situação. Ela é uma sogra ali. Quantas sogras na situação dela não iriam amaldiçoar a quantidade de louça para lavar, negando-se ao serviço e passando-o a outra pessoa. Quantas e quantas sogras não iriam se entediar por ouvir uma piada pela duzentézima vez?
Não é pela louça lavada. Não é pela falta de protesto com as histórias. Minha admiração pela dona Cida não é pelo que ela vem fazendo aos outros. É pelo que ela faz a si própria. A mairia das pessoas vai sair do Brasil, vai viajar para um país distante em procura de algo, de uma alegria, e não encontrará alegria tão grande como a da dona Cida.
Existem dois tipos de viagem que as pessoas podem fazer na vida. Uma delas é exterior. Comprar uma passagem. Deixar o avião te levar. Contratar um guia turístico. Tirar a foto para mostrar para amigos e familiares. A outra viagem é interior. Ninguém sabe onde comprar a passagem. Não há um guia turistico dizendo o que encontrar. A bem da verdade, para os segredos dessa viagem interior, não temos a quem perguntar nada... são mundos desconhecidos que ninguém visitou antes. Por isso mesmo a maioria das pessoas deixa de fazer essa viagem. E passa a vida sem ter sequer consciência de quanta alegria está desperdiçando em instantes seguidos sofrendo pelas coisas erradas enquanto poderiam ser colecionadores de alegrias sem fim. Assim como a dona Cida, que mesmo sem nunca ter saído da cidade, era ali a pessoa mais viajada de todas.
sexta-feira, 4 de julho de 2014
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Torneios invisíveis
Os países vão se enfrentar. Todos estarão assistindo.
Mas quando os egos se enfrentam, quem está assistindo, quem está torcendo?
Quando a bola no pé da lugar à metralhadora na mão, onde está a mídia, a opinião púbica, as torcidas?
Ensaiamos um despertar de consciência política ano passado. Estávamos nas ruas, mostramos para a polícia que a tentativa de silenciar uma centena de pobres coitados pode colocar dois milhões de jovens, velhos, adultos, trabalhadores de todas as espécies nas ruas de São Paulo. Mas não entendemos bem o porque de tudo aquilo. A história dos vinte centavos. Vinte centavos sim, importantes para muita gente. O desdém de tantos que falam "só vinte centavos" é o maior testemunho dos abismo de realidades entre as gentes desta cidade. Mas de lá pra cá...
Tinhamos marcado um gol. Um gol inesperado, no início do jogo, daqueles em que o goleiro nada pode fazer. O outro time não joga um futebol bonito. Mas é bem preparado e mais organizado. A TV. O governo. Os discursos. Fomos convencidos por imagens bem selecionadas de que nas manifestações só há vândalos. Fomos convencidos de que todos os problemas possíveis são culpa exclusiva de um único partido, mesmo vendo aquele outro receber acusações das mais graves, sofrer flagrandes gritantes de transporte de drogas a casos de propinas milionárias.
Acontece. Todo jogo tem disso. De repente um dos times dá uma tropeçada e é cartão vermelho. O outro, de repente, pode sair literalmente quebrando as pernas dos adversários que nada lhe acontecerá. Tiro de meta.
Vai ver é isso. Vamos ficar no futebol, que de futebol a gente entende.
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
O valor de aprender
Será? As pessoas são pródigas em criticar umas às outras, abertamente ou não - com uma preferência clara pela segunda modalidade. Mas é fato: destruindo o prazer e o incentivo ao aprendizado, nada que dependa do aprendizado irá acontecer. Praticar e errar praticando é parte fundamental do aprendizado de qualquer coisa complexa: tocar piano, escrever bem, dirigir, trabalhar com um software complexo, qualquer coisa. Os cientistas Herbert Simon e William Chase estimaram que os grandes "gênios" gastaram entre 10.000 e 50.000 horas aprimorando suas habilidades até chegarem ao estágio de excelência em que todo mundo olha para eles e diz "olha só! nasceu com esse dom!".
Não deixe o mundo destruir seu prazer em aprender, em tentar, em apreciar cada tentativa - acertada ou não - e crescer com ela. Milhares de horas depois, todos vão te invejar, embora ninguém resolva seguir seu caminho pois vão ver que não são como você, não "nasceram com o dom"...
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Dos movimentos
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Foco
- Desculpe, seus olhos estavam no caminho.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Nobel
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Adoniran
Claro que têm
Um rosto diferente do meu
E que eu não sei se é mais bonito
E que não sei se é mais feio
E ainda assim, de certa forma
É um rosto que também é meu
E quando me olham nos olhos
Esses outros olhos
Por vezes gostam
Por vezes não
E se me gostam nos meus olhos
Meus olhos mesmo
Se me gostam ou não
É coisa que, com aquela,
Não guarda relação
domingo, 29 de setembro de 2013
Teatro
Um pote plástico transmuta-se num tambor. Numa bomba. Num tijolo. Num livro.
Um coador plástico de repente é uma lupa, uma válvula, uma máscara.
E nos ensaios, os mundos faz de conta impunham-se reais. E cada hora ali provava que os sonhos mais impossíveis aconteciam, diante dos olhos de todos, e as pessoas viam, viviam, e as estrelas, de inveja, tremiam.
sábado, 28 de setembro de 2013
Primeira Lei da Termodinâmica
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Inquieto
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Estúdio
Dos garimpos
Quantos metros cúbicos das mais pesadas rochas são extraídas e destruídas para cada pequeno diamante descoberto?
Nos melhores garimpos da vida, quantas e quantas pessoas você receberá com o melhor de você até encontrar aquela pessoa especial que valeu todas as tentativas?
Com as pessoas mais profundas que conhece, quantas e quantas horas de experiências e conversas triviais até encontrar seus valores mais profundos e sua humanidade mais verdadeira?
Procure diamantes, mas procure-os nas almas. Só esses são eternos e ternos.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Deixa
Cada fazer cessa um sonho. Eu gosto de sonhar...
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Beijo
Desculpe, talvez eu até pudesse concordar que há coisas no mundo que não são como deveriam ser se, por princípio, eu já não pensasse que a natureza é a medida final e que errado é substituí-la por imaginações idealísticas. É assim que funcionamos, eu você e todos. É aí que nossa assimetria nasceu, e se foi contra você, poderia muito bem ter sido contra mim. Acasos... A que me refiro? A esta mecânica no afeto: se morres por mim, morres em mim.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Deprimido
Vão se esvaziando todas as atividades, as ocupações.
E meus desânimos desincentivam minhas forças.
E minhas forças se minguam tristes.
E meus silêncios se emparedam.
E minhas paredes esfriam.
E meus rins se cansam.
Meus pulmões param.
Meu ar cessa.
Morro.
Não há muita poesia numa vida de dúvidas.
E minhas dúvidas engessam meus dias.
Nada acontece, há anos.
Os dias pararam.
Estou parado.
Estático.
Parado.
Outro dia quis ter outra vida,
Uma vida diferente dessa,
Uma vida com ânimos.
Uma vida de risos.
Existência feliz.
Sorrir sempre.
Olhar bom.
Feliz
A depressão é assim funda
Funda e imunda e suja
E pegajosa e oca
e infinita
pra baixo
f
u
n
d
o
domingo, 22 de setembro de 2013
Três da tarde
sábado, 21 de setembro de 2013
Geopolítica
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Algema
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Massa zero
O mundo continua lá fora a despeito total do que sinto aqui dentro. À revelia do que faço, do que deixo de fazer, do que sou, do que não sou.
Li que os físicos detectam no espaço a presença de matéria escura pelo efeito gravitacional que ela exerce à sua volta. Um sujeito sem gravidade social é efetivamente um sujeito sem massa social? Sou um humano verbalizado, letrado, vestido e vacinado, e ainda assim, de certa forma, um apêndice da sociedade.
Não se interessam pelo que penso do petróleo, das crianças doentes, da fome, das doenças, das desigualdades ou das guerras. Eu também, para todos os efeitos mensuráveis, diante de todas as marcas que estou deixando para os arqueólogos de daqui a mil anos, também não me interesso por nada disso.
Já acordou assim algum dia?
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Exorcismo
Preciso tirar esse demônio de mim. Esses demônios todos. Essa confraria do mal. Esse inferno inteiro do meu íntimo preciso tirar agora imediatamente.
E esse demônio sou eu.
Preciso deixar de ser outro a cada pequeno depois.
Preciso deixar de lembrar das coisas erradas.
Preciso deixar de precisar dessas necessidades que corroem.
Desejos diferentes, sonhos, sabores. Meu paladar muda a toda hora. Já experimentou isso? Já leu Shakespeare e Paulo Coelho na mesma noite e ficou em dúvida sobre quem seria genial? Já ouviu a suíte para cellos de Vivaldi e depois arrematou com um bom e adequado Zezé di Camargo & Luciano? Nem eu cheguei a tanto, mas hipérboles me divertem num sarcasmo de sorriso largo.
Que nojo de mim. Que podre. Quero o casamento eterno e apaixonado. Quero a putaria porca e imunda dos relacionamentos despurodados de segundos.
Quero todas as vidas. E nenhuma dessas é minha vida.
Preciso tirar esse demônio de mim.
E depois experimentar demônios diferentes. Porque é incorrigível. Porque não vou achar graça em corrigir.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Completa
Sim sim, você ama a pessoa, você respeita, você trata bem e tudo mais. Isso talvez seja pré-requisito para você entrar na brincadeira. Mas uma vez que aceitaram teu ingresso, jogue-o fora. Agora o papo é outro...
Tesão. Uma espécie de sede selvagem. A boca salivando querendo sentir o sabor de tudo. O corpo querendo contato. Suor. Carinhos que oscilam entre leves afagos e arranhados. Gemidos de desespero. Mais, mais maismais! Algo incontido! Tem que transbordar.
É isso: selvagem. E no entato, impressionante, não nos contentamos só com isso. A pessoa com quem estamos importa. Existem por aí muitas que gritariam mais. Outras, quem sabe, pulalriam em cima de mim e me deixariam louco. Será?
Minha falta de empatia se transfigura fácil em um tipo de desprezo. Não consigo ir pra cama com qualquer uma. Uma gostosa, gostosíssima que todos invejariam... Se for burra, ruim de papo, não vai rolar... Minha mente vai se abstrair de tudo aquilo e ficar meditando no quão vil é aquela pessoa... E nada mais vil que sexo, que é o que eu quero, que é o que eu gosto... Mas tem que ser com alguém que tem vida. Talvez isso seja porque os espíritos não tolerem deixar os corpos ali, sozinhos, transando... Querem transar também. Espírito copulando com espírito. E, para isso, precisam se querer. E tesão de espírito não é por questões de corpo, já que são imateriais. Obviedades...
Tem loira gostosa com espírito canhão desdentado. Tem mina meio capenga com espíritos deslumbrantemente tesudos.
E se eu achar a melhor das combinações, agarro e não largo nunca mais!
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Aquele chato do bar
Ele era um grande de um filho da puta. Mas é fato: a gente ria com ele. Ele falava com desdém, quase cuspindo pro lado, todas essas coisas que se às vezes a gente se flagra pensando, faz um esforço danado pra virar pro lado e fingir que não aconteceu. A gente ria! O que mais ia fazer? Balançar a cabeça seriamente e concordar? Endossar aquela chuva de verdades? De modo algum. A gente ria. A gente ria sempre, gargalhava.
E era duplamente bom. A gente condenava como inconcebíveis todas as nossas verdades secretas, e de quebra voltava pra casa com o alívio de ter encarado o assunto de frente. Fuga, é verdade, mas só depois de olhar o bandido nos olhos.
Era um grande de um filho da puta. Mas todo mundo gostava dele.