sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A single shot

... aquele momento com um gosto amargo na boca. Estou na beirada do trampolim, um dos pés já boiando sobre o nada. Está escuro. Não sei se a piscina está com água ou vazia. Vou pular.

Foto #009


Esta cidade está vivendo uma seca sem precedentes na história moderna. E, ao mesmo tempo, carros e pessoas estão sendo levados por enchentes relâmpago. No fundo no fundo, São Paulo é uma síntese da tragédia humana.

Mortes sem sentido

Esse atentado na França está, como tantas outras coisas, me sufocando em minha própria ignorância. Tanta coisa que eu não entendo.

Não entendo tirar outra vida em nome de um deus, qualquer espécie de deus que seja.

Não entendo ofensas levadas ao extremo por coisas pequenas. Um cartoon. Ou a declaração de um artista na TV. Ou um costume de uma outra cultura manifestado na mesa ao lado.

Há alguns dias passou na Globo "O Pagador de Promessas". Se o Zé do Burro fez sua promessa num terreiro, a Iansã, então a igreja católica não deve aceitar sua devoção. Por que?

Está para surgir uma religião da união. Uma religião cujo deus seja, ele próprio, a aceitação do outro e, e cuja salvação seja a busca de uma harmoniosa convivência com as diferenças.

Talvez seja tudo culpa dessa mentira utópica. Somos todos iguais. Somos todos iguais. Racismo é errado, afinal somos todos iguais. Homofobia é errado, afinal somos todos iguais. O voto deve ser universal, afinal somos todos iguais. Quanta mentira, quanta mentira! Somos todos diferentes. E é esta a verdadeira razão pela qual devemos aceitar a todos igualmente.

Confesso que, ainda que alguns dias atrasado para ler tudo isso, estou triste e chocado. Sei que há tantas outras mortes sem sentido acontecendo. No trânsito. Nos hospitais. Nas casas. Nos esquecimentos. Mas não precisava, ainda, de mais essas...

Realizações

Ontem eu acordei e fiz café para mim mesmo. Sozinho.

Fervi água para café solúvel.

Lavei as laranjas e fiz uma bela laranjada. Elas estavam na geladeira, porque assim eu tenho laranjada gelada sem gelo.

Saí de casa. Dei bom dia para as pessoas na rua. Brinquei com um cachorro que vinha por ali, e mais adiante fui ignorado por um gatinho que fugiu dos meus primeiros "psss-psss-psss!".

Não resolvi a causa feminista.

Não me informei sobre os novos ministros.

Não impedi a destruição da Amazônia.

Sei que o pedaço de frango que comi no almoço vinha de produção industrializada.

Mas sorri para o garçom e para a moça do caixa que cobrou a conta.

Não assaltei ninguém.

Mas não impedi nenhum assalto.

Mas não fui assaltado.

Na média, o quão útil foi minha vida hoje? Fico com uma sensação boa de ter tido um dia prazeroso. E com um peso na consciência por não ter feito o bastante. O mundo é cheio de urgências. Tão cheio de urgências, e com tantas pessoas as ignorando, que talvez um dia de descanso, um dia ao acaso, já seja luxo demais. Escândalo inaceitável. E amanhã? E depois?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Professores

Quem foram os professores importantes em sua vida? Eu consigo me alguns.

Um professor de música. Não exatamente pelas aulas de música. Mas pela postura diante de tudo. Sempre disposto a rir. Das coisas engraçadas e dos problemas. Do aluno que não conseguia aprender e do dia em que invadiram a escola e roubaram alguns instrumentos. Tudo virava uma história divertida. Até comentei isso com ele. Foi uma das poucas vezes em que ele ficou sério, retrucando em seguida com seu linguajar peculiar: "mas claro, porra! vou ficar chorando da vida agora? Tanta coisa de ruim acontecendo e ainda vou deixar tudo pior choramingando por aí?". Me olhou sério. E, poucos segundos depois, começou a rir da minha cara de susto! "Calma aê que eu não vou te bater não Dodô!". Também tinha essa mania. Ninguém mais me chama de Dodô. Até tenho alguns apelidos. Variações de Adoniran ou um simpes Lê para o Leblon. Mas esse professor gostava de inventar apelidos.

Uma professora lá no primário. Os traços marcantes: era incorruptível, confiava em nosso potencial e era perfeccionista. "Você é capaz" era o que dizia sempre que pedia para alguém melhorar a lição.

Mas quem são, de verdade, nossos professores? Há tantos e tantos aqui que não vou poder homenagear.

Aquele pasteleiro lá da pequenina cidade do sul de Minas (nem lembro mais o nome da cidade, olha só que lástima!). Era perfeccinista e parecia, na verdade, que não estava interessado em vender pastel ou ganhar dinheiro. Estava interessado em agradar as pessoas que se sentavam ali para uma breve refeição. Seu pastel era praticamente uma obra de arte. E tinha boas conversas para quem se interessasse, ou uma boa postura profissional pra quem não queria ser incomodado (e, mais importante de tudo, era muito rápido em distinguir um tipo de gente do outro!).

Meu pai quando me ajudou a copiar a lição de um amigo e depois me deu a maior bronca não-bronca do mundo, me explicando, calma porém longamente, que naquela hora meu amigo estava brincando e fazendo qualquer outra coisa enquanto eu estava copiando a lição que não havia copiado na aula. Ele foi meu professor também, não foi?

De domínios e dominâncias

Meu irmão tem um pequeno império.

De certo modo posso dizer que as origens nunca foram as mesmas. A mesma família, a mesma casa, os mesmos pais, é verdade. É verdade. Mas a diferença de idade produziu uma certa diferença de mundos.

Ele saia para andar sozinho com o carro, pelo quarteirão. E eu podia ficar em casa. Matando o tempo como podia. Imaginando como deveria ser legal andar de carro por aí. No futuro, quando meus pés também alcançassem os pedais...

Hoje meu irmão tem um pequeno império.

Empresas. Ele faz negócios. Vende um carro e compra outro. Vende uma empresa e compra outra. De tempos em tempos se mete em encrencas. Inventa um negócio novo e dá um jeito de arrumar tudo.

E eu continuo introvertido. De certo modo, meus pés nunca alcaçaram os pedais e eu continuo achando um jeito para me distrair.

Falando assim parece algo carregado de fatalismo e um certo rancor, mas não é verdade. Enganos da narrativa exagerada. Sou o que sou e gosto de ser assim. Hoje fico inquieto quando meu tempo é consumido demais por empreendedorices em que não vejo muito sentido. Quero ter tempo para ler. Para as minhas músicas. Para as minhas viagens contemplativas. Para andar pelo centro. Da pequena Analândia ou pela Avenida Paulista. Que seja.

Foto #008


Certas coisas simples despertam em mim o senso do infinito. Amo olhar para uma folha em branco. Ou então segurar, em minhas mãos, uma caneta. O que um gênio faria com essas coisas? Ao mesmo tempo que são a definição do nada criativo, do trabalho que ainda nem sequer começou ou que nunca aconteceu, essas coisas guardam em si todas as possibilidades imagináveis e além. E essas coisas me oprimem. Uma folha em branco me intimida mais do que uma obra literária consagrada e volumosa. Pois ela pode vir a ser o maior poema jamais criado. A história mais fantástica jamais contada. Mais olha para mim e diz: "o que você vai fazer comigo? Aposto que não muito... te desafio!".

Em tempo: fui a uma agência dos correios dias atrás. Pedi uma caneta emprestada. Era uma caneta BIC. Notei que havia um papel dentro dela. Dizia: "Êxodo 20-15: NÃO FURTARÁS.". As BICs deveriam vir com este papelzinho já de fábrica.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Foto #007

Não sei se falo sobre a combinatória dos símbolos, sobre a comunicação humana ou sobre distâncias. Ou se falo sobre aquela poeirinha ali, entre os teclados. Nojento, né? Mas é também um testemunho do tempo. Um efeito inexorável. Quantas e quantas vezes já vi a faxineira do escritório com um paninho sobre esses teclados. Acho que foi ela, na verdade, que estragou as teclas dos telefones que tiveram que ser trocados. O Luiz, da mesa ao lado, gabava-se de poder continuar usando seu aparelho ruim. "Tenho a sorte de não ligar para ninguém com o número sete!" Como o sete é cabalístico, isso deve ter significado algo. Mas nunca entendemos a mensagem e por fim os astros autorizaram a troca por um aparelho mais "novo". Uso as aspas pois todos os aparelhos têm a mesma idade. Compraram trinta aparelhos, anos atrás, quando as ambições tiveram acesso às verbas. Mas as cinco pessoas dessa salinha comprovam: os negócios nunca deslancharam como imaginaram. Isso porque algo deu errado na combinatória das possibilidades, ou na comunicação dos símbolos entre as pessoas. Ou porque vendedores e interessados permaneceram, sabe-se lá porque, mais distantes do que deveriam.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Há tlânticos...

Sei das distâncias. Das distâncias de estar perto. Das distâncias de ouvir à noite. Das distâncias de entender que a vida tem um tamanho finito. O que serão dos dias? Já achei que fosse morrer. E não te dei tchau. Já ganhei na loteria. E não pulei com você sobre a areia da praia. Rindo com estranhos. Provando pra todos que a vida é boa. Que o mundo é bom. Você é um sonho e não sei direito quando foi que acordei. Ainda estou sonolento, tateando as paredes do corredor em busca de um copo de água na cozinha. Quantos copos de água até esvaziar o Atlântico e atravessá-lo a pé? Quantos sonhos até voltar no tempo? Quantas vezes o sol se por até que aqueles dias se apaguem?

Foto #006



São novas paredes. Mas também são novas liberdades. Por cima do muro estão outros horizontes. O ar que respiro nas manhãs é outro também. Imagino um transatlântico mudando de direção. Milhares de toneladas aproando um outro destino. Uma vida mudando de direção. Milhares de dias e agora o rumo é outro.

... sempre por um fio.

Nossa idade não é muito diferente. Ele é três anos mais velho.

Mas ele tem uma casa, uma esposa e uma filha. Coisas que eu não tenho.

Trabalha numa sala próxima.

E de repente, chega a enfermeira-chefe do ambulatório: "Ué, o Fred não fica aqui? Onde ele está?"

Levei-a até a sala dele. Ele estava debruçado sobre a mesa. Não seria uma simples dor de cabeça para motivar alguém a pedir ajuda diretamente ao ambulatório pelo número interno de emergências.

Eu ajudei a carregá-lo. Por duas vezes quase não se aguentou em pé. Estava suando, com o corpo quente, parecia saído de um forno a alguns segundos antes de derreter de vez. Colocamos o Fred na ambulância e eu fui junto, ajudar a retirá-lo.

E quando chegamos em frente ao ambulatório ele estava gelado. Frio frio frio. Olhar distante. Fala lenta. Seria uma queda de pressão neste calor infernal? Ataque de labirintite ou algo assim?

Depois a secretária me confessou, a boca pequena. Leucemia. Ele também tem leucemia. Toma uma tonelada de remédios. De tempos em tempos tem alguma crise.

Eu não sabia de sua silenciosa luta contra essa maldição. Tudo o que conheço é o sorriso intenso com que Fred cumprimenta todo mundo que vê, espalhando energia e otimismo por aí.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Dos lugares...

São Paulo não é uma das cidades mais bonitas do mundo: é um lugar lotado, barulhento, uma cidade que só serve para fazer dinheiro. Mas ainda assim descubro alguns encantos escondidos. Caminhar descendo a rua Augusta em um fim de tarde. Todo mundo saindo do trabalho, vivendo suas vidas, e você ali, à toa, andando sem horário, sem compromisso. Descobrir lá embaixo a Rua Avanhandava. Um lugar que nem parece estar em São Paulo, e isso talvez se deva à cara da Avanhandava ser tão genuinamente paulistana. De uma São Paulo que já não existe mais.

O sebo do Messias, de que tanto já ouvi falar. Com as putas zoadas ali na frente e os clientes que aparecem para negociar de tempos em tempos. Há uma poesia acontecendo ali. As putas ficam às costas da Catedral da Sé, mas estão entre as lojas de flores e ficam de frente para o Messias. Aliás, quando noto que o próprio Messias está fora da igreja, minhas dúvidas já começam a coçar.

Não vou concluir meus estudos em tempo hábil. Deveria ir ler os artigos. Os "papers". Deveria procurar um lugar para escrever. A escrivaninha de casa. Uma mesa em alguma biblioteca. O boteco no lado da república em que estou, lá na Santa Cecília. Aliás, a Santa Cecília... Lembra algumas cenas do filme "Ruas de Fogo", que passava no SBT quando eu era jovem. Já fui jovem.

São Paulo é uma cidade gigante. Mas em sua impessoalidade, em sua pressa para que tudo aconteça o quanto antes - o atendimento na padaria, as pessoas nas catracas do metrô -, encontro um espaço de paz. Esse espaço de estar sozinho ainda que estando rodeado por um mundarél de gente. Perdido por aí com meus pensamentos. Sensação nova para mim. Sensação ambígua. Cidade ambígua.

Foto #005


Se os rumos da vida fossem ditados por máquinas. Por engenhocas. Não. Não são. Parece que foi o Steve Jobs que disse, em um discurso, que percorrer a vida é como percorrer uma estrada escura em um carro cujos faróis iluminam apenas poucos metros à frente. E você tem que escolher para qual lado virar sempre que aparece uma bifurcação à frente. Mas não consegue ver ande as estradas vão levar. Só alguns metros à frente. Para qual lado virar?

domingo, 4 de janeiro de 2015

Foto #004


E os dias desenvolvem uma homogeneidade. Misturam-se como o café o leite. O chocolate. O nanquim que deixo pingar na água ao limpar a pena da caneta antiga. A novidade dá lugar à rotina. Mas na rotina encontro novos sabores. É uma nova rotina. O suco com leitura pela manhã. As conversas com risadas ao fim da tarde. Um novo clima para estes novos dias.

Onde há dúvida, há liberdade

Vi esta frase tem já uns tempos. Não sei onde. Se na pós-graduação em filosofia ou se na Contigo jogada na salinha de espera. Achei bela. Traduz um ideal. Não acho que seja, estritamente, verdadeira. Podemos, acorrentados, duvidar da razão daqueles que nos aprisiona, e ainda assim continuaremos presos. Mas essa frase trata de coisas mais profundas. Não na dúvida, mas na liberdade. Uma liberdade mental. Uma liberdade conceitual. É ali, não é, que as coisas começam. Na liberdade mental. No mundo das idéias. Nos questionamentos. Quando dizem a você que o comunismo foi uma catástrofe, e que não tem como funcionar, e você acredita prontamente, sem reconhecer que está comprando uma conclusão sem ter um profundo contato com os detalhes do raciocínio, então não é livre. Quando lhe dizem que o capitalismo é a fonte de todos os males da humanidade, e que o interesse privado e o egoísmo dos burgueses escraviza a classe média moderna, e você ecoa essas afirmações sem verificar melhor como o mundo funciona... Existem tantas formas de escravidão, não é? Nossa espécie é particularmente adaptada às escravidões sem correntes. E só há liberdade em um lugar: onde há dúvida.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Da minha lista de desejos

11 - Ignorar educadamente as pessoas ao meu redor para conseguir dedicar ao menos três horas do dia para aquilo que, pela manhã, planejei me dedicar.

Das críticas

Quando você critica alguém, ou um grupo, quem exatamente você está criticando?

Tenho visto que as críticas se dirigem aos estereótipos e não às verdades, às essências.

Quem odeia os petistas gostam de dizer como os petistas são idiotas. Mas o fazem com base no que o lobão falou dos petistas. Com base na crítica que o super imparcial Arnaldo Jabor escreveu sobre os petistas.

O mesmo vale para um petista criticando um direitista genérico.

Se os seres humanos se ouvissem mais, imagino, iriam se descobrir muito mais similares do que imaginam.

A humanidade luta contra inimigos imaginários. Critica fantasmas que não existem.

Ou então sou eu quem estou imaginando coisas...

Foto #003


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Foto #002


De braços abertos, de coração aberto

Muitos familiares queridos estão longe. A calça está sendo repetida já há alguns dias. Demora chegar até ali. Estrada de terra. Desviando de pedras, buracos, lama. Ponte de madeira sobre o pequeno riacho. É claro que há toras quebradas. Um lembrete de que o tempo é implacável e a segurança é duvidosa, mera ilusão. Sigo em frente. O lugar, no meio da floresta, é de paz. Gansos correndo pelo gramado. Cachorros tranquilos, amistosos. Animam-se com a minha chegada e vêm pedir um pouco de carinho.

As pessoas estão me esperando para o jantar. Não é minha família. Mas é minha família. São as pessoas que estão aqui me acompanhando, esperando por mim.

Não era aqui que eu imaginava estar. Não era com essas pessoas que eu imaginei estar. Mas é aqui que estou. Feliz pelos bons imprevistos da vida.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Foto #001

Feliz ano novo

Que 2015 seja assim... foco na essência independentemente das roupagens!

... mais um começo!

Feliz 2015! Neste ano vou escrever todos os dias. Todos! Vou manter meu diário atualizado. Vou sair para caminhar pelas ruas. Fazendo caminhos diferentes sempre que possível. Vou passar em frente a quitandas, aquelas pequenas, administradas por um velho senhorzinho e seus dois filhos. Que estudaram, um é dentista e a outra é veterinária. Trabalham ali perto em suas clínicas, mas ajudam o pai na quitanda sempre que podem. Nada de redes franquiadas. Em 2015 não vou frequentar redes franquiadas. Vou comer bem. Chegar em casa, preparar um bom suco de laranja, feito a mão. Nada de espremedor elétrico, cruz credo. Não vou ficar falando com testemunhas de Jeová. Mas também não vou maltratá-los nem forçá-los a aceitar meu ateísmo, afinal também são filhos de Deus. Não vou gastar tempo falando mal das coisas. Não vou perder a chance de falar bem das coisas. Aliás, o céu está lindo hoje. Tomei um café da manhã delicioso numa mesa de madeira, numa cantina rústica mas muito bem decorada. Lá fora, um pequeno lago e marrecos. Me divirto com marrecos. Eles têm um jeito estranho de correr atrás das pessoas para proteger os marrequinhos. E os marrequinhos não estão nem aí com nada. Neste ano vou ver mais marrecos. E cachorros, pombos, gatos, jacarés. Quero ver jacarés. Vou andar mais de bicicleta. Vou até São Paulo, usar as ciclovias de lá antes que o PSDB assuma a cidade e resolva acabar com as ciclovias para dar mais espaço aos carros e ajudar os trânsitos. Em 2015 vou falar menos de política. Mas vou fazer mais política. Escrever para vereadores, senadores e deputados. Acompanhar projetos que interessem à minha região. E vou me preocupar em dormir bem. Dormir bem é importante. E não vou exagerar no café. Mas aceito umzinho sim... especialmente se for com um pão de queijo quentim!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Retrospectivas...

"Tornar-se adulto é também bancar as suas escolhas – e, neste sentido, estar só." - Eliane Brum

Verdade Eliane, verdade. E aí penso que sou mais adulto por conta dessa solidão interior do que pela idade. E assim será até os meus noventa e tantos anos.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Obrigado

Eu ainda não me conformo com a profundidade desse segredo. Quando mais escondo, mas se faz verdade por todas as formas. E tem impactos absurdamente profundos em todas as esferas da minha vida. Não deveria. Talvez venha a ser uma enorme decepção pra ela quando finalmente ficar sabendo. Talvez ela se sinta de alguma forma responsável por coisas que não deveria, que são totalmente de minha responsabilidade. Essa história toda me fez outro. Outro diferente do que eu seria. Guardar coisas demais dentro de si cria um gigante interior que ganha proporções descomunais, capaz de repente de eclipsar o resto das coisas. Sou outro. Me fiz outro. Deixei ser outro. E no entanto das mais estranhas formas, essa é minha gênese, para o bem ou para o mal. O caos atual da minha vida, que tanto me caracteriza, talvez não viesse a existir.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Equilíbrios

As tentativas de compreensão do mundo esbarram, invariavelmente, em histórias de equilíbrios.

Os antigos falavam no equilíbrios dos humores, os fluidos internos responsáveis por nossos diferentes estados.

Os economistas falam no equilíbrio dos mercados, oferta e demanda opondo-se com intensidades convergentes.

Os psicólogos falam em equilíbrio interior.

Os físicos e engenheiros falam em equilíbrio de forças, vetores pontudos apontando para tudo o que é lado até que nada aconteça.

Mas existem outros equilíbrios por serem explorados.

Os equilíbrios de prioridades. O que você acha importante? O que seu vizinho acha importante? O que o presidente do país acha importante? O que o mendigo na rua acha importante?

Os equilíbrios de carências. Quem quer fazer o bem aos outros? Quem precisa urgentemente de uma boa ação? Quem quer um abraço? Quem quer abraçar? Quem não quer saber de nada disso?

Os equilíbrios de olhares. De sorrisos.

E séculos depois de começarem a estudar esses assuntos talvez descubram o que a economia só agora ameaça descobrir: o equilíbrio é uma mentira. Inventada pelos estudiosos para simplificar as coisas e possibilitar os diagramas nos livros. A realidade é uma onda, algo que sempre pende mais para um determinado lado, gerando um fluxo em uma determinada direção. A natureza não pára nunca. (sorria)

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Time Lapse

Quanto tempo será necessário para escrever um romance inteiro?

Do que vou falar no meu romance? Vou um dia conseguir viajar sozinho? Morar fora?

Dedicar minhas energias a idéias que nem sei exatamente quais são? Tantas coisas por entender no mundo.

Tantas coisas por fazer na vida.

Vou passar uns dias longe de casa, em breve. Começar um novo trabalho.

Perseguir um sonho. Voar alto em meus devaneios. E a vontade de escrever, mais e mais.

Mas escrever consome tempo. E tempo muitas vezes são horas de sono. Atenção à família. Tempo para estudos. A hora da caminhada saudável. O tempo para preparar uma boa comida. Escrever consome. Consome muitas coisas.

O que é que eu vou escrever, afinal? Vivo escrevendo, como agora. Mas escrevo, a vida inteira, sobre o sonho de escrever alguma coisa.

Não tenho condição de ser um escritor desses super eruditos, porque a vida não me fez erudito.

Ou eu não me fiz.

Não li as coisas que sonhei ler. Não estudei as coisas que sonhei estudar.

Mas tenho dentro de mim um sonho, uma fagulha de curiosidade, e sei que é possível fazer disso alguma coisa.

Matérias abstratas que se tornam concretas por geologias estranhas.

O que vai ser do futuro?

sábado, 15 de novembro de 2014

Paradoxos ou ironias

Amar foi o que mais me afastou das pessoas que eu amei.
E conter o amor foi o que preservou um grande amor por perto, ainda que, por fim, destruindo-o.

Como, então, saber o que fazer agora?

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Ato falho

Eu ainda teclo seu telefone sem querer quando, distraído, telefono para alguém em busca de conforto e bons humores.

E escuto sua voz quando deixo minha mente inventar imaginações boas.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Ecos

Eu ainda lembro de você comemorando. Sou o único amigo que nunca se apaixonou por você. Uma amizade que venceu esta estranha barreira do desejo humano que sempre quer mais e mais e mais. Apenas que não era verdade. E desde então ecoa nas torturas de minhas lembranças... Você, feliz da vida com esta grande sorte de eu não te amar.