terça-feira, 23 de março de 2010

Flagrante

Eu me faço mal. Estou com a boca seca, cabeça doendo. Eu não sou um super-homem. Quem disse que eu aguentaria isso? é que eu achei que não passaria por isso. Nunca decidi mentir pra mim: decidi, lembro bem, mudar o que sou. Deixar de amar, afinal, é isso, é mudar o que se é. Mas não consegui, e arco com as conseqüências. Amo, amo escodido. Amar escondido é amar? E minto pra ela todos os dias. Afinal, omitir é uma espécie de mentira menor, mas ainda assim uma mentira, não é? Ela se sentiria traída se soubesse? Não foi a intenção. É covardia se esconder assim e amar escondido? Ela deveria poder decidir se me autoriza ou não a amá-la? Ela deveria poder decidir se me submete ou não a tanto sofrimento por me contar tanto de sua vida? Eu não deveria perder tempo com essas questões. Essas questões, aliás, não deveriam existir, porque deveria ser tão fácil deixar de amar. O maior problema do mundo hoje não é justamente o oposto? As pessoas não conseguem evitar deixar de amar, não é isso? Namoros acabam, casamentos acabam, até a cumplicidade na traição, mais hora menos hora, acaba também. Ou será que acaba justamente porque desgasta, de modo que meu amor será eterno, eterno precisamente porque nunca começou?

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