domingo, 7 de junho de 2009

Euselino

Eu comprava cachorro quente todas as tardes no mesmo local, seguindo o mesmo ritual. Eu me achava super descolado por cumprimentar o vendedor pelo nome. Euselino. Olá seu Euselino, me vê um dog completo sem passas, por favor? Mas outro dia fiquei ali sentado e tinha mais gente nas mesas do lado. Pedindo coisas também. E perguntavam coisas pro Euselino. O Euselino foi falando... Ele tinha se graduado em direito numa faculdade no Mato Grosso do Sul. Chegou a ser juiz numa cidadezinha, mas foi ameaçado de morte por um jagunço doido que ele condenara à prisão pelo assassinato de oito famílias, um bêbado, o próprio pai e algumas normas gramaticas que vagavam sozinhas à noite, desamparadas e abandonadas. Euselino então mudou-se para o coração do Pantanal onde ensinou jurisprudência da pororoca a uma família de dourados. Mas um jacaré achou que a coisa era com ele e ameaçou arrancar as pernas de Euselino a dentadas. Euselino então mudou-se para uma outra cidade e conheceu Joseph Climber. Este, à época, pintava quadros com sua perna direita, e então Euselino o ajudou a expor seus trabalhos pelos EUA, Ásia e Europa. Mas num dia horrível o senhor Climber sofreu alucinações e amputou as próprias pernas. Euselino fugiu, horrorizado, e perambulou pelas ruas sujas de São Paulo. Aprendeu a fazer malabarismos nos faróis, juntou uma grana e comprou o carro e a barraquinha de cachorro quente. E eu achava que conhecia o Euselino só porque lhe sabia o nome.

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