Não tem nada mais importante, nessa vida, do que olhar para fora. Porque é fora, no mundo, nos outros, nos lugares, que habita a vida, a novidade, o abraço, o sorriso que alimenta a alma, que encontramos destinatários para nossa ajuda, nossas lições, nosso amor... e de onde pode ecoar o que temos de ruim nos ensinando a aprender e o que temos de bom, produzindo uma felicidade impossível de experimentar de outra forma
Mundo, mundo!!!!
O que tem aí fora?
Quem tá aí?
Alôôô, alôôô
terça-feira, 24 de abril de 2012
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Modos de trabalho
Eu não tenho essa coisa de artista. A coisa de artista é a disciplina. Eu existo numas vezes e desapareço em outras. Dizem que sou mais instável. Eu sou é estável demais, demoro semanas em cada humor, então as pessoas os experimentam todos num mesmo dia com os saltos dos minutos. A disciplina me escapa. Ela me existe, mas só às vezes. E isso dá no mesmo.
Deixa pra lá
Então eu não consigo contar minhas histórias. O que é que está acontecendo? Eu fiquei preciosista demais? É problema de concentração? Olho as fotos, penso nas histórias. Mas não escrevo nada. Escrevo isso aqui. É fácil confessar que algo não está funcionando. Muito mais fácil do que fazer a coisa funcionar de novo.
Você já se sentiu assim? Tem um tempo que meus planos pessoais não estão funcionando devidamente. Chego em casa e não consigo mais me concentrar. Até no trabalho, na verdade. Nada é interessante o suficiente para que eu me concentre até o fim. O que há, afinal? Algum palpite?
Você já se sentiu assim? Tem um tempo que meus planos pessoais não estão funcionando devidamente. Chego em casa e não consigo mais me concentrar. Até no trabalho, na verdade. Nada é interessante o suficiente para que eu me concentre até o fim. O que há, afinal? Algum palpite?
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quarta-feira, 18 de abril de 2012
Quilômetros
Que saudade filha da puta do caralho! Você se encaixava nos meus braços, ali certinho nos milímetros! De que adianta eu ficar pensando tanto em você? Não adianta porra nenhuma. Você sussurrou bons sonhos nos meus ouvidos. E eu escuto aquilo até hoje. Quem diria que as coisas ecoam também no tempo? Aquela voz leve, doce, quase sorrindo, quase dormindo, quase gargalhando. Doce... doce doce doce! Que saudade. Sua risada. Quando a gente andava, as ondas às vezes chegando até os pés. E a gente nem aí. Falava e ria. Tirava fotos. Brincava. Foi uma tarde perfeita, não foi? Foi um dia perfeito, não foi? A vida poderia ser sempre assim, daquele jeito. Aquele foi um dia em que eu amei existir. Sentir falta daquele dia, sentir essa dor de não estar mais aí perto... Estou sendo injusto? Foi já um presente de deus que eu estivesse aí ao menos um pouco. Agora estou longe, mas o que fazer? Você sente o mesmo?
Por favor
Querida, pare de jogar seus cadernos fora! Foram horas escrevendo. E daí que sente-se ridícula ao ler as histórias? E daí que não aprova nada? Simplesmente não cabe mais a você julgar. Pertencem a você as histórias que estão na sua mente. Uma vez no papel, pertencem ao papel, como é de qualquer papel a história que contém. Protege-se de que? Tem medo? Medo do que pensam os outros? Medo estúpido. Ainda mais quando tantos dentre esses outros sequer pensam!
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sexta-feira, 13 de abril de 2012
Interrogações
Poderia uma mulher ter detido Hitler e alterado o destino de milhões de vítimas? E o futuro da economia do mundo?
Se Jesus Cristo existiu mesmo ou não... que diferença faz?
Pergunto o mesmo sobre Deus, ajeitando, claro, o tempo do verbo.
Se realmente temos poder de escolha sobre nossa vida, por que é que somos tão pouco criativos ao considerar as opções que temos?
Se Jesus Cristo existiu mesmo ou não... que diferença faz?
Pergunto o mesmo sobre Deus, ajeitando, claro, o tempo do verbo.
Se realmente temos poder de escolha sobre nossa vida, por que é que somos tão pouco criativos ao considerar as opções que temos?
Vias
Gosto de dar conselhos às pessoas porque é mais fácil pensar coisas boas para os outros do que para mim. É esse o egoísmo: gosto de dar bons conselhos aos outros para conseguir ouvir de mim mesmo as coisas que recuso a dizer nas sinceridades da minha solidão
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Curiosidades
O que é que você está fazendo agora? Está ocupada produzindo mais um documentário?
Ou está resolvendo a vida, as coisas do apartamento, procurando onde morar, terminando um namoro, começando outro talvez?
Lê um livro? O que anda lendo?
O que é que você pensa quando está andando de ônibus, olhando pela janela? Pensa nas tarefas do dia? Pensa em coisas bonitas, abstratas? Deixa-se tomar por preocupações?
Você está tão longe agora.
Era frio, tão frio naquele dia, não era? E você me fez esquecer do frio.
Aqueceu minhas caminhadas só com suas palavras e risadas.
O que será que você está fazendo agora? Por onde anda?
Ou está resolvendo a vida, as coisas do apartamento, procurando onde morar, terminando um namoro, começando outro talvez?
Lê um livro? O que anda lendo?
O que é que você pensa quando está andando de ônibus, olhando pela janela? Pensa nas tarefas do dia? Pensa em coisas bonitas, abstratas? Deixa-se tomar por preocupações?
Você está tão longe agora.
Era frio, tão frio naquele dia, não era? E você me fez esquecer do frio.
Aqueceu minhas caminhadas só com suas palavras e risadas.
O que será que você está fazendo agora? Por onde anda?
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Sonhando impossíveis
Eu sonho com uma facilidade exagerada demais. A realidade não me intimida. Imagino coisas sem medo, sem consciência dos meus limites. Planejo meus dias como se a vida fosse eterna, minhas possibilidades ilimitadas e minhas responsabilidades absolutamente nulas. Sonho, sonho demais. Não é difícil. E é delicioso.
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Considerações jogadas
sábado, 31 de março de 2012
The miracle of language
Displacement
This placement
This place meant
And in every conversation
It's so clear!
The obvious is a thousand times faster
Than the creativity of our doubts
In the history of science
Philosophy
And arts
This is an important part!
This placement
This place meant
And in every conversation
It's so clear!
The obvious is a thousand times faster
Than the creativity of our doubts
In the history of science
Philosophy
And arts
This is an important part!
quarta-feira, 28 de março de 2012
Mais exorcismos
Quantos fantasmas te assombram? Eu sou constantemente assombrado por medos diversos. Medos de fracassos. Medo de que certas escolhas não passem de uma escolha errada. Medo de perder um pouco desta coisa se escolher tentar também aquela. Você está me entendendo? Identifica-se com este tipo de situação?
Eu quero fazer outros cursos. Mas e se isso de alguma forma atrapalhar minha carreira?
E quanto ao livro que quero escrever, de onde vou tirar tempo para tocar este projeto?
Talvez eu, às vezes, tenha tempo livre demais para ficar pensando.
Talvez eu pense nas horas erradas.
Eu quero fazer outros cursos. Mas e se isso de alguma forma atrapalhar minha carreira?
E quanto ao livro que quero escrever, de onde vou tirar tempo para tocar este projeto?
Talvez eu, às vezes, tenha tempo livre demais para ficar pensando.
Talvez eu pense nas horas erradas.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Fútil
Não é que eu tenha um interesse desmedido pelo fútil. Mas entender a dinâmica dos interesses das pessoas é algo que ainda vai me ajudar a entender melhor, inclusive, o interesse pelo não-fútil.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Que venha a velhice!
De que importam as datas e as idades e os tempos? Corremos atrás desse roteiro imaginário. Sofremos nessa auto-avaliação estúpida. Mas o que importa? Vinte anos, a faculdade, o namoro... Um carro? Trinta anos, o trabalho, o casamento. Quarenta anos, a casa, os filhos. Que coisa mais sem sentido. As pessoas mais felizes que conheci descobriram alguma maneira de ignorar tudo isso. Que sorte a deles, que sorte! Vivem no ritmo próprio e tem a idade certa de viver aquilo que gostam. Estudos, filhos, casa, viagens, tudo isso ditado mais pelos conflitos entre possibilidades e vontades do que por checkpoints imaginários na quarta-dimensão. Tenho essa amiga, Rê, cuja vó, digo sempre com convicção, é ao menos vinte anos mais nova que ela própria. Milagre? Maternidades duvidosas na árvore da vida? Não não, diferença de atitudes mentais, só isso. Minha amiga Rê está sempre se distanciando de suas vontades pois luta para cumprir obrigações que não escolheu, ela própria, para si. A avó, por outro lado, tem como mais alta manifestação de sua lucidez uma capacidade incrível para esquecer seus quase noventa anos quando decide se aceita ou não um convite para o cinema, para visitar pessoas queridas ou para convidá-las a sua casa. O único critério é a vontade e o ânimo que se experimenta no momento. Coisa que deveria ser o critério para tantas outras decisões na vida. Quanto a mim, não quero ser sempre jovem. Quero envelhecer logo, amanhã já, daqui a pouco. Mas quero envelhecer como a vó da Rê.
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quarta-feira, 21 de março de 2012
Violinos e alfaces...
Ela era vegetariana e absolutamente contra a criação de ciclovias em São Paulo. Não que a associação entre esses predicados fosse óbvia, exceto para ela, que sempre os anunciava assim, justapostos, com uma naturalidade que só a certeza do óbvio pode produzir. Era romântica dos ursos de pelúcia rosa espalhados pelo quarto e apreciadora de cartas perfumadas. Não ia para o cinema se não fosse para assistir filmes como Velozes e Furiosos ou a trilogia de X-Man. Diversão é diversão, dizia ela. Para coisas sérias há outras ocasiões. Tocava violino em um conservatório desde os sete anos. Tinha a discografia completa do Reginaldo Rossi e adorava cantar garçon, aqui, nessa mesa de bar... nos videokês da cidade.
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Pessoas impossíveis?
terça-feira, 20 de março de 2012
Coisas de estética
O que é que você quer de um livro? Eu fiquei chocado outro dia. Levei a uma amiga um livro sobre um cara que tinha dúvidas sobre a vida dos homens das cavernas e então decidiu passar, ele mesmo, um tempo vivendo em condições selvagens, em cavernas perdidas no mundo. E sem uma arma, sem uma lanterna ou pilha elétrica para o radinho ou o que quer que seja. Lá na última visita a casa dela, anuncia assim o livro a uma outra amiga:
- Ah, é um livro que o Adoniran me emprestou.
- Sobre o que é? É bom?
- É um cientista que tinha dúvidas sobre o modo de vida dos homens das cavernas e aí ele vai lá viver nas cavernas um tempo. Mas é muito chato, porque tem partes que fica descrevendo as cavernas em detalhes demais. Só interessa para metidos a cientistas, como o Adoniran mesmo. É meio chato!
Desculpe, desculpe... Não a obrigo a gostar do livro, claro. Mas há algo que se perdeu aí... Confesso, confesso: quanto ao livro em si, eu também achei a leitura muitas vezes pesada e pulei algumas partes. Mas isso não diminui em nada minha empolgação com relação à história como um todo, e mais anda, minha empolgação com relação ao feito desse cientista.
Acho que a apreciação das coisas humanas deve sempre olhar ao humano que está por trás da obra. O livro é uma pequena ondulação na superfície de uma realidade maior. Uma pequena parte do elefante, se preferir. Apreciar a arte pelo que ela contém em si, e nada mais, para mim parece uma espécie de consumismo cego. Nunca se trata da arte, apenas da arte. É uma coisa humana... há o contexto da vida emoldurando tudo. É por isso que eu me entristeço também em ver quem não sabe apreciar a música dos que estão a aprender música. Há pessoas que têm ouvidos apenas para as mais destacadas produções humanas da história. É um elitismo e, como todo elitismo, pobremente cego. Não vou mais desenvolver a idéia aqui. Este não é um ensaio acabado sobre o tema - não é nem um ensaio. Não é o melhor post da internet. É um texto sem chance de receber atenção daqueles que o inspiraram.
- Ah, é um livro que o Adoniran me emprestou.
- Sobre o que é? É bom?
- É um cientista que tinha dúvidas sobre o modo de vida dos homens das cavernas e aí ele vai lá viver nas cavernas um tempo. Mas é muito chato, porque tem partes que fica descrevendo as cavernas em detalhes demais. Só interessa para metidos a cientistas, como o Adoniran mesmo. É meio chato!
Desculpe, desculpe... Não a obrigo a gostar do livro, claro. Mas há algo que se perdeu aí... Confesso, confesso: quanto ao livro em si, eu também achei a leitura muitas vezes pesada e pulei algumas partes. Mas isso não diminui em nada minha empolgação com relação à história como um todo, e mais anda, minha empolgação com relação ao feito desse cientista.
Acho que a apreciação das coisas humanas deve sempre olhar ao humano que está por trás da obra. O livro é uma pequena ondulação na superfície de uma realidade maior. Uma pequena parte do elefante, se preferir. Apreciar a arte pelo que ela contém em si, e nada mais, para mim parece uma espécie de consumismo cego. Nunca se trata da arte, apenas da arte. É uma coisa humana... há o contexto da vida emoldurando tudo. É por isso que eu me entristeço também em ver quem não sabe apreciar a música dos que estão a aprender música. Há pessoas que têm ouvidos apenas para as mais destacadas produções humanas da história. É um elitismo e, como todo elitismo, pobremente cego. Não vou mais desenvolver a idéia aqui. Este não é um ensaio acabado sobre o tema - não é nem um ensaio. Não é o melhor post da internet. É um texto sem chance de receber atenção daqueles que o inspiraram.
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domingo, 18 de março de 2012
Das distâncias
Eu a conheci de forma totalmente inesperada. E fiz o que nunca havia feito antes... Depois de conversar um pouco no metrô, a caminho de casa, e esperar o ônibus com ela, na hora de dizer tchau a beijei. Beijo roubado. Eu não poderia deixar de fazer isso. Eu me sentia feliz. Eu me sentia feliz como não lembrava mais ser possível. Minha solidão profunda daqueles dias quase surreais havia se diluído naqueles olhares cheios de sorrisos, naquela vontade de rir de todas minhas infinitas idiotices ditas à toa. Ela entrou no ônibus e eu entrei em crise. Uma ótima nova amizade que se apresenta, e botei tudo a perder. Depois dessa atitude idiota, não vai mais falar comigo.
Mas falou comigo. E viajamos juntos. E nos beijamos algumas vezes. E dormimos juntos. E ela se encaixava tão perfeitamente no meu abraço. I could stay awake just to hear you breathing. Efetivamente, meu sono vinha uma ou duas horas após o sono dela. Fiquei idiota? Eu admirava a paz infantil do sonho dela. E ficava sem acreditar na ergonomia perfeita daquele corpo doce sobre meu braço esquerdo - quem quer que já tenha dormido abraçado a um par sabe das dificuldades que tenho em mente aqui. Era confortável estar perto dela, não só pela minha alegria exagerada, mas havia um conforto físico também.
Por onde ela anda agora?
Sente saudades?
O que importa, realmente, responder essas coisas?
Há distâncias na vida que a gente não controla. Mas, sendo honesto, esses ventos que a levaram são os mesmos que a trouxeram, e só posso ser grato.
Mas falou comigo. E viajamos juntos. E nos beijamos algumas vezes. E dormimos juntos. E ela se encaixava tão perfeitamente no meu abraço. I could stay awake just to hear you breathing. Efetivamente, meu sono vinha uma ou duas horas após o sono dela. Fiquei idiota? Eu admirava a paz infantil do sonho dela. E ficava sem acreditar na ergonomia perfeita daquele corpo doce sobre meu braço esquerdo - quem quer que já tenha dormido abraçado a um par sabe das dificuldades que tenho em mente aqui. Era confortável estar perto dela, não só pela minha alegria exagerada, mas havia um conforto físico também.
Por onde ela anda agora?
Sente saudades?
O que importa, realmente, responder essas coisas?
Há distâncias na vida que a gente não controla. Mas, sendo honesto, esses ventos que a levaram são os mesmos que a trouxeram, e só posso ser grato.
terça-feira, 13 de março de 2012
sobre ser o que se é
...e quanto a aquela parte de nossa essência que existe sem que controlemos? Também é parte do que somos em nosso imaginário?
Gostamos de ser nossa criatividade, nossa imaginação, e mesmo nossos sonhos.
Mas quanto a coisas que não controlamos...
Raça, por exemplo. Um negro é negro. Mas reduzí-lo a isso, ou sequer mencionar esse fato (e, enquanto fato, nunca deixará de sê-lo) é hoje por mil razões um problema enorme!
Uma pessoa alta é uma pessoa alta. Fato. Mas esse fato, até que ponto se incorpora ao seu imaginário, ao seu orgulho de si? Mais que isso: até que ponto pode ser incorporado a sua lista de méritos?
Há outras existências incontroláveis porém talvez intermitentes.
Nossas raivas. Nossas raivas são intermitentes. As absorvemos como parte de nossa existência também?
E quando as palavras são assim incontroláveis também? Não escrevo quando quero, nem bem o que quero. Às vezes só tenho que escrever, e qualquer coisa e não importa. E é um alívio. Um alívio de brincar de qualquer coisa que não sou exatamente eu, mesmo o sendo...
Gostamos de ser nossa criatividade, nossa imaginação, e mesmo nossos sonhos.
Mas quanto a coisas que não controlamos...
Raça, por exemplo. Um negro é negro. Mas reduzí-lo a isso, ou sequer mencionar esse fato (e, enquanto fato, nunca deixará de sê-lo) é hoje por mil razões um problema enorme!
Uma pessoa alta é uma pessoa alta. Fato. Mas esse fato, até que ponto se incorpora ao seu imaginário, ao seu orgulho de si? Mais que isso: até que ponto pode ser incorporado a sua lista de méritos?
Há outras existências incontroláveis porém talvez intermitentes.
Nossas raivas. Nossas raivas são intermitentes. As absorvemos como parte de nossa existência também?
E quando as palavras são assim incontroláveis também? Não escrevo quando quero, nem bem o que quero. Às vezes só tenho que escrever, e qualquer coisa e não importa. E é um alívio. Um alívio de brincar de qualquer coisa que não sou exatamente eu, mesmo o sendo...
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
insight in sight
mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade se tão contrário a si é o mesmo amor?
tem um tempo de já são lá alguns anos que vez ou outra nuns alguns momentos me penso nesses versos e não sei nada entre amaldiçoar o amor ou só sentir saudade de amizades que nele se perderam...
tem um tempo de já são lá alguns anos que vez ou outra nuns alguns momentos me penso nesses versos e não sei nada entre amaldiçoar o amor ou só sentir saudade de amizades que nele se perderam...
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Literatura em tempos de twitter
Recebi no meio da bagulhada toda que vem no e-mail:
Para pessoas muito ocupadas sem tempo para leitura, mas sem prejuízo de conhecer o conteúdo das obras
William Shakespeare
Romeu e Julieta
Dois adolescentes doidinhos se apaixonam, mas as famílias proíbem o namoro. As duas turmas saem na porrada, uma briga fodida, muita gente se machuca. Então, um padre filho da puta tem uma idéia idiota e os dois morrem depois de beber veneno, pensando que era sonífero.
Fim.
Gustave Flaubert:
Madame Bovary. 778 páginas.
Uma dona de casa mete o chifre no marido e transa com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do boteco, o dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois entra em depressão, envenena-se e morre.
Fim.
Leon Tolstoi
Guerra e Paz.
Paris, Ed.Chartreuse. 1200 páginas
Um rapaz não quer ir à guerra por estar apaixonado e por isso Napoleão invade Moscou. A mocinha casa-se com outro.
Fim.
Marcel Proust:
À La recherche du temps perdu. (Em Busca do Tempo Perdido)
Paris, Gallimard. 1922. 1600 páginas.
Um rapaz asmático sofre de insônia porque a mãe não lhe dá um beijinho de boa-noite.
No dia seguinte (pág. 486 vol. I), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág.1344, vol.VI) tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos.
Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito velhinhos - e pronto.
Fim.
Luís de Camões:
Os Lusíadas. Editora Lusitânia
Um poeta com insônia decide encher o saco do rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa super gente fina), ganham a maior boa vida numa ilha cheia de mulheres gostosas.
Fim.
William Shakespeare
Hamlet
Essa é foda.
Um príncipe com insônia passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada, que, entretanto, se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira e morre assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que tinha se suicidado.
Fim.
Sófocles:
Édipo-Rei
Maluco tira uma onda, não ouve o que um ceguinho lhe diz e acaba matando o pai, comendo a mãe e furando os olhos. Por conta disso, séculos depois, surge a psicanálise que, enquanto mostra que você vai pelo mesmo caminho, lhe arranca os olhos de cara em cada consulta. Parada muito doida.
Fim.
William Shakespeare
Othelo
Um rei otário, tremendo zé-roela, tem um amigo muito filho da puta que só pensa em fazê-lo de bobo. O malandro não ganha um cargo no governo e resolve se vingar do rei, convencendo o de que a rainha está dando pra outro. O zé mané acredita e mata a rainha. Depois descobre que não era corno, mas apenas muito burro por ter acreditado no traíra. Prende o cara e fica chorando sozinho.
Fim.
Para pessoas muito ocupadas sem tempo para leitura, mas sem prejuízo de conhecer o conteúdo das obras
William Shakespeare
Romeu e Julieta
Dois adolescentes doidinhos se apaixonam, mas as famílias proíbem o namoro. As duas turmas saem na porrada, uma briga fodida, muita gente se machuca. Então, um padre filho da puta tem uma idéia idiota e os dois morrem depois de beber veneno, pensando que era sonífero.
Fim.
Gustave Flaubert:
Madame Bovary. 778 páginas.
Uma dona de casa mete o chifre no marido e transa com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do boteco, o dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois entra em depressão, envenena-se e morre.
Fim.
Leon Tolstoi
Guerra e Paz.
Paris, Ed.Chartreuse. 1200 páginas
Um rapaz não quer ir à guerra por estar apaixonado e por isso Napoleão invade Moscou. A mocinha casa-se com outro.
Fim.
Marcel Proust:
À La recherche du temps perdu. (Em Busca do Tempo Perdido)
Paris, Gallimard. 1922. 1600 páginas.
Um rapaz asmático sofre de insônia porque a mãe não lhe dá um beijinho de boa-noite.
No dia seguinte (pág. 486 vol. I), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág.1344, vol.VI) tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos.
Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito velhinhos - e pronto.
Fim.
Luís de Camões:
Os Lusíadas. Editora Lusitânia
Um poeta com insônia decide encher o saco do rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa super gente fina), ganham a maior boa vida numa ilha cheia de mulheres gostosas.
Fim.
William Shakespeare
Hamlet
Essa é foda.
Um príncipe com insônia passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada, que, entretanto, se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira e morre assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que tinha se suicidado.
Fim.
Sófocles:
Édipo-Rei
Maluco tira uma onda, não ouve o que um ceguinho lhe diz e acaba matando o pai, comendo a mãe e furando os olhos. Por conta disso, séculos depois, surge a psicanálise que, enquanto mostra que você vai pelo mesmo caminho, lhe arranca os olhos de cara em cada consulta. Parada muito doida.
Fim.
William Shakespeare
Othelo
Um rei otário, tremendo zé-roela, tem um amigo muito filho da puta que só pensa em fazê-lo de bobo. O malandro não ganha um cargo no governo e resolve se vingar do rei, convencendo o de que a rainha está dando pra outro. O zé mané acredita e mata a rainha. Depois descobre que não era corno, mas apenas muito burro por ter acreditado no traíra. Prende o cara e fica chorando sozinho.
Fim.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Sour times
Eu adoro ouvir Portishead... Especialmente de madrugada. Especialmente em madrugadas chuvosas, como essa... E deixo rolar, deixo tocando. Ainda bem que estou sozinho em casa, faz um bem danado a essa música. Ainda tem os copos de vinho espalhados pela sala, mas já foram todos embora. E estou no limiar de uma ressaca. Tudo, tudo para tornar a música perfeita.
Me jogo sobre o sofá mas entendo que não combina... Vai rolando Strangers, It could be sweet, e eu entendo que o sofá ofende a música... Vou para o chão, fico sentado num canto, olhando a penumbra da luz da rua invadindo a sala e um ou outro flash de relâmpago brilhando em tudo. Perfeito, perfeito!
Me jogo sobre o sofá mas entendo que não combina... Vai rolando Strangers, It could be sweet, e eu entendo que o sofá ofende a música... Vou para o chão, fico sentado num canto, olhando a penumbra da luz da rua invadindo a sala e um ou outro flash de relâmpago brilhando em tudo. Perfeito, perfeito!
domingo, 18 de dezembro de 2011
Saudade cortando...
Eu queria tanto te ligar agora. Sabe o assunto? Qualquer coisa. Qualquer coisa. Você está aqui do lado e está longe. Um oceano era menos. Éramos mais perto. Agora não há oceano. Poucos quarteirões. Um logo ali. Mas entre duas vidas que divergem de repente há todo um mundo. Nos falamos tão pouco. Você sente saudade? Sente uma saudade desse tamanho todo? Lembro daquela vez que conversamos noite adentro em assuntos desembestados, sem rumo. Sabe o que pensei? Que eu poderia envelhecer ao seu lado e seria um prazer enorme. Tive uma certeza quase cruel de tão inegável sobre a natureza do que sinto. Maldita. Antes fosse mais fácil esquecer você. Parece um erro tão grande, agora, eu tentar esconder o que sinto. Não é mesmo? Mas o que vou fazer, afinal? O que vou fazer se não sou, e sei disso, a pessoa com todos os predicados que você procura? Não tenho o emprego, a formação, o status que você procura. Queria apenas ignorar essas dores todas de te ver partir para ser mais fácil me fazer presente vez ou outra. Continuar mentindo a você sobre nossa amizade. Você ficaria brava se descobrisse essa mentira? Uma mentira de assim tantos anos... Seria perdoável? Seria compreensível? Uma das coisas que você mais odeia é a mentira, não é? E essa? O que dizer dessa mentira?
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Das notícias
E aí eu senti as coisas mais em ordem no meu mundo. Me senti bem. É quase um egoísmo, essa felicidade pelos outros que me importam tanto assim.
domingo, 18 de setembro de 2011
Contas
Mergulho nas bibliografias de tantas outras vidas. A pobreza, o trânsito, o meio-ambiente, a felicidade econômica, a felicidade subjetiva. Uma vida dedicada a entender o mundo? Meu tempo se vai indo e não consigo me comover por posses além das minhas humildezas. Sem carro nem casa nem isso nem aquilo, sou de repente um baita de um infeliz que teima em ser feliz e não consegue outra coisa além de continuar curiosando assuntos por aí. Há muito mais que fazer na vida além de ficar tentando ganhar dinheiro, não é mesmo? E um dia cairei morto num canto. Que terá ficado? Muito cedo para pensar nisso? Muito tarde para desapegar das ambições rasteiras que insistem em apurrinhar essa e aquela comparação? Os amigos se vão todos sendo levados para uma outra classe social, desejo-lhes boa viagem.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Mi menor
Sinto a música como não a sentia antes. Sinto a música entrando nos menores capilares, trepidando os nervos de dentro pra fora. Não, não foi a Jacqueline DuPre que mudou. É uma gravação. A mesma gravação de dez anos atrás. Dez anos! E, hoje, é como se eu nunca houvesse ouvido essas músicas antes. Uma completa novidade. Os violinos de fundo. As singelas percursões em um ou outro ponto, nada mais. Uma batida de tímpano, bem ali, ouviu? A orquestra toda. Escuto, escuto a música em meu quarto escuro, pequeno, seco e empoeirado. Mas estou longe daqui como nunca estive. Escuto apenas e nada mais. Mas, pela música, vejo cada instrumento e instrumentista bem diante de mim, três dimensões, realidade virtual, realidade completa. Estou encantado.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Sociedade hipócrita
Existem hoje em dia diplomas para aqueles que desejam explorar sem escrúpulos nem piedade justamente os que mais precisam de ajuda. Os diplomas vêm, é claro, com títulos acima de qualquer suspeita: médico, psicólogo...
Bairro aqui já na periferia... Telefonei... R$150,00 A CONSULTA com um psicólogo.
A CONSULTA!
Se esse cretino fizer três consultas por dia... ou seja, sentar a bunda escrota dele naquela poltrona idiota para ouvir o sofrimento alheio por míseras três horas... Vai embolsar 450 reais! Arredondando para 23 dias de trabalho no mês, isso dá um salário de 10300! Ah, os custos da clínica, claro, claro... Tiremos 2000 de aluguel+luz+etc e mais uns 800 pra mocinha da recepção... Sobrou só 7550 pra esse crápula.
Vamos lá... Vamos a uma versão mais atual e pertinente do juramento de Hipócrates... Juramento que todos os médicos atualmente recitam ao se formarem, ainda que apenas em seu íntimo:
Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panaceia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, mediante pagamento que me apeteça os instintos, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens, desde que antes ele partilhe comigo os seus; ter seus filhos por meus próprios irmãos, de quem posso demandar heranças em momento oportuno; ensinar-lhes esta arte porém não permitir que a usem contra mim, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, e com remuneração e sempre com compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder, entendimento e benefício, nunca me responsabilizando por causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei de graça, por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva às vistas da lei.
Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam, a fim de evitar responsabilidades desnecessárias.
Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o voluntário que ouse ajudá-los sem demandar justo honorário, e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar para justificar meu lucro, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.
Bairro aqui já na periferia... Telefonei... R$150,00 A CONSULTA com um psicólogo.
A CONSULTA!
Se esse cretino fizer três consultas por dia... ou seja, sentar a bunda escrota dele naquela poltrona idiota para ouvir o sofrimento alheio por míseras três horas... Vai embolsar 450 reais! Arredondando para 23 dias de trabalho no mês, isso dá um salário de 10300! Ah, os custos da clínica, claro, claro... Tiremos 2000 de aluguel+luz+etc e mais uns 800 pra mocinha da recepção... Sobrou só 7550 pra esse crápula.
Vamos lá... Vamos a uma versão mais atual e pertinente do juramento de Hipócrates... Juramento que todos os médicos atualmente recitam ao se formarem, ainda que apenas em seu íntimo:
Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panaceia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, mediante pagamento que me apeteça os instintos, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens, desde que antes ele partilhe comigo os seus; ter seus filhos por meus próprios irmãos, de quem posso demandar heranças em momento oportuno; ensinar-lhes esta arte porém não permitir que a usem contra mim, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, e com remuneração e sempre com compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder, entendimento e benefício, nunca me responsabilizando por causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei de graça, por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva às vistas da lei.
Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam, a fim de evitar responsabilidades desnecessárias.
Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o voluntário que ouse ajudá-los sem demandar justo honorário, e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar para justificar meu lucro, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
quarta-feira, 13 de julho de 2011
sábado, 9 de julho de 2011
Indo embora
Conversar comigo mesmo, é isso que quero. Mas não, não me dou ouvidos no momento. Está tudo se bagunçando, uma entropia irresistivelmente almentando, inflando meus sonhos gigantes expansivamente pra longe, longe e longe, e onde é que eu fico no meio de tudo isso? Vem aqui aquela lembrança da voz doce, do olhar delicado emoldurado pelo sorriso mais leve e penetrante que já vi. E a lembrança se eteriza eternamente entrando num pra sempre até jamais.
domingo, 3 de julho de 2011
Os sonhos nas garrafas
Clarissa estava atordoada com a vida. Decidiu, para acalmar-se, engarrafar seus sonhos e anseios. Assim o fez. Sentou-se então em sua poltrona e ficou a mirar a estante. Garrafinhas várias brilhando ali suas imaginações e sonhos dos mais desconexos. Percebeu que seria impossível organizar a estante de uma maneira coerente, incoerentes entre si que são as coisas que queremos. Enciumada e narcisística, afugentava a todos que ameaçavam se aproximar. Passou a evitar visitas. E se alguém derruba uma garrafa e a quebra? Impensável.
Anos se passaram e Clarissa morreu em sua poltrona. Seus sonhos permanecem intactos como da primeira vez em que foram sonhados. Pelos vidrinhos transparentes, iluminam o corpo de Clarissa que, feliz, apodrece ali, velando a existência que nunca aconteceu.
Anos se passaram e Clarissa morreu em sua poltrona. Seus sonhos permanecem intactos como da primeira vez em que foram sonhados. Pelos vidrinhos transparentes, iluminam o corpo de Clarissa que, feliz, apodrece ali, velando a existência que nunca aconteceu.
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