quinta-feira, 21 de maio de 2015

Engrenagens


O "setting" da máquina: três postagens por dia. Uma com uma foto, e dois textos. Todos os dais. Por pelo menos um ano. Não é preciso escrever e fotografar todos os dias, porque isso é impossível. A rotina, ou a falta dela, não permite tanto. Mas a tecnologia está aí pra isso. Então é possível escrever muita coisa em uma tarde desocupada e ir programando as postagens. Funcionou muito bem em janeiro. Fevereiro foi inacreditavelmente produtivo, mesmo com uma grande viagem, ou talvez especialmente por conta dela. Março dizia que tudo continuaria bem. Abril, o mês que começa com o dia da mentira, viu os primeiros engasgos. E em maio houveram grandes tropeços. E aina não estamos no meio do ano. Vou corrigir isso. Mas não é um projeto tão ambicioso assim. Dar comida para o cachorro todos os dias é algo muito mais importante. Visitar os amigos queridos ao menos uma vez a cada seis meses... uma vez no ano, que seja, é algo muito mais fundamental. E ainda assim a vida se impõe como uma barreira. Será que é uma propriedade inerente à vida ou é mais algo ligado ao meu modo de lidar com a vida?

Talvez seja algo inerente à minha vida e não a todas elas. Quero mudanças. Quero deixar a vida mais coerente com meus pequenos planos. E com meus grandes planos também. Uma vida que comporte pequenas maravilhas. Acordar cedo aos sábados para caminhar em algum parque. Ver os velhinhos andando com seus cachorrinhos, ou andando de mãos dadas com suas velhinhas. Ou sentandos sozinhos num banco, sorrindo. Uma vida que permita uma hora de descanso por dia, não necessariamente todos os dias, em frente a uma folha em branco. Ou com as mãos no teclado ouvindo esse barulhinho quase de borbulhar. Borbulhar... Teclados borbulham. Idéias fervendo. Assim como a água no fogo, não é um processo instantâneo. Demanda um tempo. Um tempo para a alma esquentar. Um tempo que às vezes o caos da vida urbana não permite. Engrenagens desalinhadas.

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